A trans empoderada

(por Marcelo Ferla)

Transexualidade, milhões de fãs nas redes sociais, música brasileira e negra, postura independente, fuga de rótulos, compartilhamento, empoderamento. Nenhum artista brasileiro carrega em torno de si mesmo tantos signos contemporâneos quanto Liniker.

“A” Liniker, como exige ser chamada a artista transexual negra de 22 anos, para enfatizar que a discussão de gênero é uma de suas premissas, é um furacão musical, mesmo que a música sempre surja em paralelo com suas tantas conexões cotidianas.

Quando postou seu primeiro videoclipe caseiro nas redes sociais e arrebatou um milhão de visualizações em cinco dias, a cantora entrou para uma lista não tão escassa de primeiras-vindas, mas sua ascensão no cenário nacional revelou muito mais do que um like-a-primeira-vista.

Ao se aprofundar na discussão de gênero e optar pelo pronome feminino, ao assumir uma postura de ocupação de espaço nas mídias populares se for preciso, ao fazer questão de compartilhar emoções com o público e o palco e os clipes e os discos com outros artistas (Johnny Hooker, Marcelo Jeneci, Elza Soares e os próprios Caramelows), Liniker crava seu nome na ordem do dia da maneira mais atual possível.

Integrante de uma geração sem vergonha (de se assumir sexualmente, de se expôr nas redes sociais, de dizer o que pensa instantaneamente), Liniker não dissimula pra disseminar suas verdades e não abre mão do poder que conquistou com suas próprias forças. É o que se espera de um grande artista. Perdão, de uma grande artista.